O que é content shock?

A tradução livre mais fiel para content shock seria algo como o “embate do conteúdo”. O termo foi criado por Mark Schaeffer, ex-executivo de grandes empresas americanas, professor universitário e autor de livros de sucesso nos Estados Unidos, como Content Code.

Mark Schaeffer - Content Shock
Mark Schaeffer

No artigo “Content Shock: Why content marketing is not a sustainable strategy“, publicado em janeiro de 2014, Schaeffer apresentou o conceito, que ainda é pouco difundido no Brasil — mas tende a se popularizar seja com esse nome ou com qualquer outro.

É um conceito fácil de assimilar. Pense no seguinte: cada vez mais empresas criam canais de comunicação, como blogs, vídeos, podcasts etc. Na outra ponta, porém, está o público, que já vem consumindo conteúdo online como parte de seus hábitos cotidianos. O problema é que, enquanto a quantidade de conteúdo produzido cresce, a quantidade de conteúdo consumido se mantém mais ou menos no mesmo patamar. Em algum momento, vai ter mais conteúdo sendo produzido do que consumido, como mostra o gráfico.

Content shock

A projeção é simples: content marketing vai se tornar ineficiente em algum momento. Isso é o content shock.

Não se trata de mera teoria. Segundo levantamento da Kapost feito em 2013, todos os anos cresce 19,7% o número de empresas e pessoas fazendo conteúdo. No entanto, o público cresce só 2,5%. Ou seja, há quase oito vezes mais oferta do que procura por ele.

No artigo, Mark Schaeffer aponta as seguintes implicações para esse efeito:

  1. Produções de custo baixo muito frequentemente são os mais vistos e estão no topo das buscas do Google.
  2. As empresas provocam o content shock deliberadamente. Produzem conteúdo em quantidade para ocupar os espaços no Google e criar barreiras de entrada para eventuais competidores.
  3. Todos nós pagamos para os nossos clientes nos lerem. Investimos tempo e dinheiro na produção. Em 2009, 5 horas diárias de produção de conteúdo custavam, digamos, US$ 500. Hoje, para obter o mesmo resultado, esse valor é possivelmente US$ 1.500. Ou seja, está ficando mais caro fazer conteúdo.

Sintomas do content shock

Dois anos antes de o artigo ser publicado, a Baydin publicou o relatório de uma pesquisa que mostrava sinais de content shock no uso de emails. Realizado em 2012, o estudo concluiu que uma pessoa recebia, em média, 147 e-mails por dia, o que lhe consumia 2h30. Conclusão: a grande maioria dos emails é ignorada.

Teste caseiro, mas real

Fizemos um teste na Tracto em abril de 2017. Baixamos por duas semanas ebooks de 20 empresas que fazem inbound marketing — quase todas brasileiras — para ver o que aconteceria. Em apenas 13 dias, chegaram à nossa caixa postal nada menos que 97 emails automáticos. Recebemos mensagens até de empresas que não estavam na lista de 20 empresas, mas que eram parceiras de alguma delas — e por isso compartilham listas.


Cassio Politi

Sobre o autor: Cassio Politi é fundador da Tracto e diretor do Comunique-se. Publicou o primeiro livro sobre o content marketing em português em 2013. Foi eleito o profissional do ano em 2014 pela Digitalks. É desde 2014 jurado do Content Marketing Awards.


Este artigo foi originalmente publicado em 31 de janeiro de 2014 e vem sendo constantemente atualizado e enriquecido desde então.