Por que a entrada do Spotify vai elevar os podcasts a um novo patamar

A entrada do Spotify na lista de dispositivos usados para ouvir podcasts, em outubro de 2018, pode ter sido um divisor de águas para esse tipo de mídia. O Spotify tende a ser tornar o principal programa de podcasts do mundo. Por uma razão: ouvir podcasts é uma delícia, mas tecnicamente não é tão fácil quanto assistir a vídeos no YouTube, por exemplo. Os agregadores são um tanto complexos e nem todos os podcasts estão em todos os aplicativos.

O Spotify chega para resolver esse problema. O site Tech Chunch resume bem:

“O Spotify descobriu o que muitos já suspeitavam: os usuários não precisam nem querem usar vários aplicativos para diferentes tipos de áudio.”

Em meados de fevereiro de 2019, o Spotify comprou a Gimlet Media, empresa americana especializada em mídia digital — podcasts, inclusive.

A aquisição, no valor de US$ 230 milhões, segundo o Miami Herald, tem uma razão de ser: o Spotify quer ficar cada vez mais forte em podcasts. Estima-se que somente na plataforma da Apple existam hoje mais de 550 mil podcasts ativos no mundo todo.

Um levantamento da Interactive Advertising Bureau e da PwC aponta que o gasto das marcas com anúncios em podcasts vão chegar a US$ 514,5 milhões em 2019, um crescimento de 28% em relação ao ano passado. É nesse mercado que o Spotify está de olho.

O crescimento consistente das cifras se explica pelo fato de que, nos Estados Unidos, 73 milhões de pessoas ouvem podcasts pelo menos uma vez por mês.

Não existem dados similares em relação ao Brasil. Mas existem sinais. No final de 2018, a ABPOD mostrou resultados de uma pesquisa realizada por podcasters com a rádio CBN com quase 23 mil pessoas. Embora o volume total de ouvintes no País não seja preciso, há clareza em relação ao amadurecimento dessa mídia.

E também há sinais de que os ouvintes de podcast estão usando o Spotify em proporção significativa.

Pela Tracto, produzimos quatro podcasts: Takeaways (da própria Tracto), Investcast (Itaú), Podcast-se (Comunique-se) e Rádio Paddock (Lito Cavalcanti). O Spotify já é o principal agregador de todos eles, respondendo por 35% a 40% dos plays e downloads. Os dados são de janeiro de 2019.

Embora quatro podcasts não formem uma amostra representativa de toda a podosfera nacional, ela não deixa de ser um termômetro. Olhando apenas o dedo do pé, dá para saber o tamanho do gigante.

Voltando ao contexto global, o Spotify ainda luta para se estabilizar financeiramente, e isso desperta uma dose extra de apetite para os milhões de dólares que os podcasts podem render. Desde que foi fundado, em 2006, o app de músicas já pagou mais de US$ 10 bilhões em direitos a artistas. Não surpreende que, em 2018, tenha registrado prejuízo de US$ 1,4 bi.

Na busca pelo equilíbrio das contas, podcasts podem ser a salvação para o Spotify. Quem afirma isso é ninguém menos que a Rolling Stone, uma das principais revistas especializadas em música no mundo.

“Nenhuma empresa consegue sobreviver com mais e mais prejuízo. Em última análise, o Spotify tem duas opções: ser vendido ou tentar virar uma Netflix.”

Entenda por “virar uma Netflix” abraçar a produção de conteúdo em áudio que conte histórias. Ou seja, podcasts.

Takeaway

O Spotify deve se tornar o principal agregador de podcasts por duas razões. Primeiro porque é vantajoso para o usuário ter todos os áudios num só lugar. Segundo porque os números são promissores.

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Você pode ouvir o conteúdo deste post no episódio #126 do podcast Takeaways.

Ouça o Takeaways também no Spotify, iTunes e Stitcher.∞

Cassio Politi

Sobre o autor: Cassio Politi é fundador da Tracto. Implantou programas de content marketing em empresas do Brasil e em multionacionais. Autor do primeiro livro em língua portuguesa sobre content marketing, publicado em 2013, é o único sul-americano a compor o seleto júri do Content Marketing Awards. Desde 2016, é palestrante em eventos no Brasil e no Exterior, normalmente apresentando cases bem-sucedidos de seus clientes.