Oito passos para criar e publicar um podcast

Se você pretende usar podcast para distribuir conteúdo da sua empresa, saiba que é um formato apaixonante. No entanto, antes de colocar em prática o seu projeto de podcasting, responda: por que você quer criar um? Que benefícios espera dessa mídia de áudio? Sem definir isso, há chance de você se frustrar. Normalmente, podcasts são ótimos para:

  • Posicionamento da marca;
  • Conexão com o público, uma vez que, assim como o rádio, podcast é o teatro da mente.

Se decidir criar um podcast, siga os passos a seguir.

Passo #1: defina formato e linha editorial

Responda às seguintes perguntas relacionadas a formato e conteúdo:

  • O podcast será individual ou feito por várias pessoas?
  • Terá entrevistados?
  • Quais serão os quadros ou seções?
  • Quais temas serão cobertos?
  • Qual será a periodicidade?
  • Qual será a duração?

Respondendo a essas perguntas, você terá um ponto de partida. Fazer mudanças e ajustes com frequência depois do lançamento não é apenas normal como é também saudável para uma melhoria contínua.

Passo #2: grave um piloto

Sua edição de estreia precisa já ter qualidade. Por isso, grave e, se necessário, regrave o piloto, que é o programa de teste. Quando criei o Podcast-se, fizemos sete pilotos. O último ficou muito melhor que o primeiro.

Passo #3: crie um roteiro

Há quem prefira redigir um texto completo e se guiar por ele na hora de gravar. Há quem prefira apenas listar tópicos. Descubra que tipo de roteiro funciona melhor para você.

Procure encaixar seu podcast num COPE. Isso significa que a mesma pauta é publicada em diferentes canais. Por exemplo, o roteiro do podcast pode ser transformado em um blog post, numa palestra online e em posts em redes sociais. Produtividade é o nome do jogo.

Passo #4: grave com qualidade

Seu áudio precisa ter qualidade de aceitável para cima. Há pelo menos três opções para isso:

  1. Compre um microfone USB. Eu uso o Behringer C1-U, que custa em torno de R$ 400. Procurando, você encontrará alternativas. Seja qual for a sua escolha, use espuma de microfone — aquela esponja que fica na extremidade. Esse acessório custa menos de R$ 15 e evita o chamado “puf”, que é aquele pequeno estouro audível quando pronunciamos a letra P ou a letra B.
  2. Use um celular para gravar, mas certifique-se de que ele tem boa qualidade de áudio. Isso varia muito de modelo para modelo. Utilizo às vezes o iPhone e, embora não tenha a mesma qualidade de um microfone USB, o resultado final é bom.
  3. Utilize um estúdio se seu orçamento permitir. A qualidade ficará muito superior à das duas opções anteriores. O HypeCast, da agência Hytrade, é gravado num estúdio alugado em São Paulo. O áudio fica com altíssima qualidade. O Café Brasil, também com nível elevado de qualidade, é gravado num estúdio próprio.

Se você escolher a opção 1 ou 2, procure gravar de uma sala que não produza eco. Cubra os móveis da sala com um pano (ou cobertor). Faz muita diferença na acústica.

Se nada mais funcionar, grave dentro de um carro. Estacione-o num local silencioso, como uma garagem de prédio por exemplo. A acústica de um carro é naturalmente boa. Com objetos estofados por todos os lados, não há eco. Tanto que, para ganhar tempo, repórteres de TV muitas vezes gravam o off (nome dado à narração da matéria) de dentro do carro.

Passo #5: crie vinheta a custo baixo

Vinheta de abertura, com locutores inclusive, já foi um recurso caro. Hoje é barato porque existem freelancers que oferecem:

  • Locução curta, de poucos segundos;
  • Gravação de trilha curta em guitarra, violão ou outro instrumento;
  • Fornecimento de trilhas e efeitos de royalty free.

Recomendo dois sites que oferecem esses recursos por valores acessíveis. Um é o Fiverr, site americano de freelancers, com cada vez mais brasileiros atuando. Os preços são sempre múltiplos de US$ 5. Locutores vendem a gravação de textos curtos, de até 100 ou 200 palavras, por exemplo. Músicos se dispõem a criar apenas 30 segundos de uma trilha para a sua abertura. E por aí vai.

O conjunto de contratações que você vai fazer no Fiverr para criar o seu podcast dificilmente passa dos US$ 50 — pagos uma só vez.

Há também o Vinte Pila, uma versão abrasileirada do Fiverr. Funciona do mesmo jeito, com ofertas a partir de R$ 20.

Se quiser ter uma ideia do resultado, ouça alguma edição do meu podcast semanal, o Takeaways. A trilha de abertura, os efeitos e a locutora foram contratados via Fiverr. Podem não ter a sofisticação de uma rádio FM, mas fica profissional.

Passo #6: edite gratuitamente

O Audacity é um dos mais antigos e mais usados editores gratuitos de áudio. É baixar e usar. Se tiver dificuldade, encontre um tutorial no YouTube. Não se assuste com a quantidade de recursos. Você vai usar somente funções mais básicas, de cortar e mixar. Um detalhe importante: para exportar o arquivo em MP3 do Audacity, você precisará de um plugin também gratuito e de fácil instalação.

A alternativa para o Audacity é usar um aplicativo de celular. Em viagens, costumo usar o Hokusai. Se você pesquisar por “editor de áudio”, vai encontrar diversas opções de apps.

Passo #7: publique nos lugares certos

Podcast é muito mais ouvido por smartphone do que por computador. Há diversas plataformas mobile de podcast disponíveis hoje e você pode estar em todas elas se quiser. Mas duas são indispensáveis porque são as mais populares: iTunes (Apple) e Stitcher (Android e Apple).

Siga este passo a passo para configurar seu podcast:

  1. Crie uma conta em um publicador de podcast. Muita gente usa o Soundcloud, que é uma plataforma originalmente de música, mas serve também para podcast. Recomendo, porém, o Spreaker, que é próprio para podcast. Ambos têm opções gratuitas e pagas. E ambos fornecem para você o feed RSS, que é a URL (endereço que começa com “http://”) do seu podcast.
  2. Crie gratuitamente uma conta no Stitcher. Você incluirá nele o feed RSS obtido no passo anterior.
  3. Crie uma conta no Podcast Connect da Apple, para aparecer no iTunes. Da mesma forma, o feed RSS será inserido nele.
  4. Crie conta em outros players de podcast que você descobrir. Quanto mais, melhor.

Pode levar algumas horas — ou mesmo dias — para o seu podcast ser publicado no Stitcher e no iTunes. Não se preocupe se isso acontecer. É normal, pois ambos verificam se o podcast não contém conteúdo impróprio antes de liberar a publicação.

Muita gente pergunta sobre como publicar no Spotify, mas não há como fazer isso. Pelo menos por enquanto, é o Spotify quem convida podcasts altamente populares para fazer parte de sua lista.

Passo #8: mensure resultados

Apple e Stitcher têm mensuração própria e um tanto confusa. Por isso, a contagem mais confiável de plays e downloads é feita na raiz — no local onde o seu arquivo de áudio está hospedado, como Soundcloud, Spreaker ou similar.

Minha recomendação é usar o Spreaker, que oferece o recurso de Analytics em sua versão paga, que custa US$ 199 anuais. Ele mostra detalhadamente plays e downloads de todos os seus podcasts e detalha os dispositivos e canais onde eles foram acessados.

Como dica complementar, ouça seu podcast depois de publicado com alto grau de autocrítica. E melhore a cada edição.∞


Cassio Politi

Sobre o autor: Cassio Politi começou a produzir conteúdo profissionalmente em 1997, na extinta versão impressa do jornal A Gazeta Esportiva. De lá para cá, criou conteúdo de texto, áudio e vídeo para inúmeros veículos de comunicação, como UOL, Zip.Net, CBN, Bandeirantes e Comunique-se, entre outros. Depois vieram os clientes da Tracto, de segmentos variados: indústria farmacêutica, marcas esportivas, empresas globais de auditoria, editoras internacionais e outras. Nesse meio tempo, publicou o livro Content Marketing — o Conteúdo que Gera Resultados, lançado em 2013.

Já ministrou ou organizou webinars, seminários online, cursos online ou presenciais e podcasts para empresas de variados portes, como Thomson Reuters, O Boticário, Elanco, Câmara dos Deputados, Petrobras, Asics, Comunique-se, Elsevier, Oracle e muitas outras.

Toda essa experiência lhe rendeu alguns reconhecimentos, como receber o prêmio de melhor profissional de content marketing pela Digitalks em 2015, tornar-se o único sul-americano a compor o seleto júri do Content Marketing Awards e tornar-se palestrante internacional em eventos nos Estados Unidos.