Qual a diferença entre coluna e blog?

Harry Thomas é dono de um site especializado em corrida de rua, o Running News. No time de colunistas e blogueiros, conta com especialistas, atletas amadores e profissionais ― como Luiz Razia, novo piloto brasileiro na Formula 1. Foi ele quem me fez , via Twitter, a pergunta estampada no título deste post.

Não sei se há uma resposta técnica, mas vou tentar responder. A figura do colunista se tornou notória na imprensa escrita. É antiga em jornais impressos, mas ganhou ainda mais relevância no jornalismo brasileiro na década de 60, quando os jornais passaram por uma transformação editorial.

Seguindo a escola americana de Jornalismo, adotaram o texto objetivo, direto ao ponto. Todo floreio literário passou a ser chamado de nariz de cera ― algo que se possa arrancar da obra final com um simples puxão.

A mudança se fazia necessária porque a atenção do seu leitor começava a ser disputada não apenas por outros jornais, mas por revistas cada vez mais abundantes e, principalmente, pela televisão. Sabia-se que, dali em diante, as pessoas não dedicariam mais algumas horas do dia à leitura de jornal. Era preciso lidar com esse novo comportamento.

Nesse contexto, os textos passaram a ser produzidos de forma quase industrial, respondendo objetivamente as seis perguntas da técnica da pirâmide invertida: o que, quem, quando, onde, por que e como? As respostas conduziriam à elaboração de um texto sem rodeios.

Em meados de 1968, Nelson Rodrigues expôs seu descontentamento com aquele modelo e apelidou seus entusiastas de idiotas da objetividade. A alcunha pegou. Pudera: talentos como ele próprio perdiam espaço na mídia. Os jornais inteligentemente mantiveram um espaço, ainda que reduzido, para os textos deliciosos de jornalistas e escritores mais hábeis. E intensificaram o uso das colunas para marcar seu posicionamento em relação aos mais diversos assuntos. Política, principalmente.

Vieram os anos 90 e, com eles, uma nova revolução ― essa tal de internet. Em 1997, Jorn Barger inventou o weblog, que depois viraria we blog e, mais tarde, blog. Comunicadores rapidamente sacaram que aquele formato era mais dinâmico. O Google tratou de valorizá-lo por ser democrático e, em muitos casos, apresentar bom conteúdo. As empresas o adotaram por ter audiência.

Voltando ao cerne da questão: afinal, qual a diferença entre coluna e blog? Eu diria que a coluna, pelo histórico arraigado ao impresso, tem menor flexibilidade de tamanho e periodicidade. O blog, mais a cara da web, tem posts a qualquer momento, de qualquer tamanho. Além disso, colunas não necessariamente estão abertas a comentários dos leitores, uma marca registrada dos blogs.

No mais, coluna e blog têm o mesmo desafio de opinar, informar, ilustrar, ganhar respeito e audiência. Outro ponto de convergência é que ambos vivem na corda bamba. Afinal, um passo em falso basta para provocar toda sorte de reações nas redes sociais.∞

Cassio Politi é fundador da Tracto e do All Metrics. Foi em 2016 palestrante do Content Marketing World, o principal evento do tema no mundo, em Cleveland, nos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, foi apontado pela Traackr como o 9º mais influente profissional de marketing de conteúdo da América Latina. E aparece na lista dos 50 mais influentes do mundo publicada pelo Top Blogger.

Foi eleito o profissional de content marketing do ano pela Digitalks em 2015. É desde 2014 o único sul-americano a compor o seleto júri do Content Marketing Awards. É autor do livro Content Marketing - O Conteúdo que Gera Resultados, publicado em 2013. Presta consultoria para grandes empresas brasileiras e multinacionais. Já conduziu palestras, treinamentos in company e cursos abertos em 25 estados.

→ Siga no Twitter: @tractoBR.
→ Leia os artigos de Cassio Politi na Tracto.
→ Veja o perfil completo de Cassio Politi.
Métricas de Mídias Sociais, Content e Inbound Marketing | Master Class | 9 de dezembro | São Paulo Saiba mais
Content Marketing Brasil: conteúdo incrível, online e gratuito! Inscreva-se