Previsões 2015: quais estavam furadas e quais estavam certas

Você chegou a acreditar que o mundo acabaria em 2012? Sinais não faltavam, como chegou a elencar o BuzzFeed na ocasião. Pois é, o mundo não acabou e os profetas ficaram desmoralizados. Ainda assim, mais e mais gente continua profetizando sobre quase tudo nos dias de hoje. Prever é moleza porque depois ninguém nunca checa se a previsão era furada ou não.

Pois bem, um ano atrás, em dezembro de 2014, reunimos aqui, na Tracto, 20 previsões feitas por sete renomados sites estrangeiros para o ano que termina. Chegou a hora de checar. Vamos ver o que se confirmou e o que era patacoada.

(Em tempo: tratamos dessas previsões na edição #25 do Podcast Content Marketing Brasil. Abaixo, você poderá ouvir o podcast ou ler as 20 previsões.)

Vamos primeiro às previsões certas — ou, no mínimo, coerentes:

  • “As empresas B2C buscarão dar mais apelo mais emocional ao seu conteúdo”. Lego, Oreo, Coca-Cola, RedBull em âmbito mundial; Itaú no Brasil. Todos são bons exemplos dessa busca pelo envolvimento emocional.
  • “Empresas B2B apostarão mais em revistas impressas”. A centenária The Furrow (John Deere) está aí há mais de 100 anos para provar que revistas impressas são fortes. A novíssima Pineapple (Airbnb) confirma essa realidade nos Estados Unidos. Somem-se a elas revistas como Rhapsody (United Airlines), Porter (Net-a-Porter) e The Red Bulletin (Red Bull). No Brasil, a New Content foi eleita a melhor agência de branded content do mundo. Seu portfólio conta com Revista da TAM, entre outras.
  • “As empresas terão mais preocupação em entregar conteúdo altamente segmentado. Será a busca pelo conteúdo certo para a pessoa certa, na hora certa e pelo canal certo”. Se ainda não faz isso, a maioria das empresas pelo menos já concorda com a ideia de que qualidade é o nome do jogo.
  • “Os orçamentos darão mais atenção à promoção e distribuição do conteúdo do que à sua produção. Nesse contexto, o Facebook oferecerá mais ferramentas (e melhores) para empresas”. Não apenas o Facebook teve essa preocupação, mas as plataformas de conteúdo digital de um forma geral.
  • “As marcas publicarão cada vez mais conteúdo multiplataforma — com foco especial em mobile”. E isso bate com a mudança de algoritmos do próprio Google, que passou praticamente a exigir que os sites sejam responsivos.
  • “Os conteúdos se tornarão cada vez menos baseados em texto e mais em visual. Será a vez do vídeoonline”. Bingo! O próprio Facebook está indo por esse caminho, sem contar no surgimento de plataformas mobile de streaming, como o Periscope.
  • “Conteúdo em áudio, como podcast, também ganhará força”. De fato, ganhou força nos Estados Unidos e em breve vai ganhar no Brasil também.
  • “O receio com conteúdo patrocinado e native advertisement diminuirá”. No Brasil, inclusive, cada vez mais se vê conteúdo patrocinado na home de grandes portais. O G1 é um exemplo.
  • “E-mail e outbound (mídia de massa, por exemplo) ganharão força”. Cresceu o número de empresas que oferecem esses serviços nos Estados Unidos e no Brasil. Não que isso seja bom.
  • “O LinkedIn vai ganhar ainda mais força como plataforma de distribuição de conteúdo”. Sim, ganhou. No Brasil, inclusive.

E agora as previsões furadas:

  • “Conteúdo superficial, como memes, começarão a ser vistos como lixo”. As marcas até concordam com a ideia de que conteúdo superficial não basta. Em grupos de profissionais que atuam como social media, até houve autocríticas nesse sentido. Mas as marcas em geral ainda estão longe de praticar storytelling.
  • “Nessa busca por qualidade de conteúdo, marcas contratarão mais jornalistas. Será um ano promissor para profissionais dessa área”. Essa é uma esperança e talvez seja uma tendência. Mas não aconteceu em 2015 nem nos Estados Unidos nem aqui.
  • “As empresas conseguirão transformar audiência em clientes sem que isso desgaste a relação com o público”. O desgaste com o público é crescente. As empresas de automação estimulam o envio exagerado de e-mails comerciais e até de SPAM.
  • “O conteúdo de marca será produzido de forma mais colaborativa”. Interação existe. Colaboração ainda é um desejo não concretizado.
  • “O Facebook será declarado como uma plataforma inútil para B2B”. Cada vez mais se considera o Facebook uma plataforma muito mais voltada para B2C. Mas ele está longe de ser rotulado como inútil para B2B.
  • “Agências começarão a comprar ou desenvolver plataformas para dependerem de tecnologia, e não apenas de talento. Pelo menos uma grande agência fará a aquisição de uma grande plataforma de serviço online”. Não houve nenhuma aquisição que chamasse a atenção.
  • “Um novo serviço de foto digital gratuita surgirá”. Se surgiu algum que ganhasse destaque em 2015, desconheço.
  • “O bom humor estará mais presente no comportamento das marcas na internet. Elas vão rir mais de si próprias”. Há muitos casos de empresas que tratam com leveza situações adversas. Mas não houve maior incidência em 2015. A sensação é de que as empresas bem humoradas continuam agindo dessa forma.
  • “O Google Plus vai acabar”. Pode até estar na UTI, respirando por aparelhos, mas continua vivo.
  • “O Google vai comprar o Twitter”. Bem, até a data de publicação deste post, não comprou.

Foram 20 previsões: dez certas e dez furadas. Portanto, quando ler as previsões para 2016, leve a sério apenas metade.∞


Cassio Politi foi eleito o profissional de content marketing do ano pela Digitalks em 2015. Será em 2016 palestrante do Content Marketing World, o principal evento do tema no mundo, em Cleveland, nos Estados Unidos. É desde 2014 o único sul-americano a compor o seleto júri do Content Marketing Awards. É autor do livro Content Marketing - O Conteúdo que Gera Resultados. Presta consultoria para grandes empresas brasileiras e multinacionais. Já conduziu palestras, treinamentos in company e cursos abertos em 25 estados. Twitter: @tractoBR.

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