Facebook: é possível ter mais pessoas falando sobre isso do que fãs?

O Luciano Pires estava sentado no fundo da sala. Quando as métricas entraram em questão, ele emendou uma pergunta cuja resposta deveria ser binária: sim ou não.

“É possível uma fan page ter mais pessoas falando sobre isso do que curtidores?”

Instintivamente, respondi que não. Parei por uma fração de segundo e me dei conta da bobagem que acabara de dizer. Para entender o porquê, vamos primeiro a duas definições relacionadas a métricas do Facebook:

  1. PTA: Pessoas falando sobre isso é aquele número destacado em toda fan page, visível para qualquer usuário. É também conhecido pela sigla PTA (people talking about). Diz respeito ao total de pessoas que fizeram uma dessas ações nos últimos dias: curtiu a página ou uma publicação; mencionou, comentou ou compartilhou uma publicação ou evento; marcou a página numa foto; fez check-in ou recomendou o local relacionado à página. É um número que normalmente oscila para cima ou para baixo a cada dia.
  2. Fãs da página: são as pessoas que já curtiram a página. Como dificilmente as pessoas desfazem o ato de curtir, esse número tende a crescer sempre.

Normalmente, o PTA é infinitamente menor do que o número de fãs.

O Guaraná Antarctica, uma das mais populares páginas de marca do Brasil, tem perto de 17,3 milhões de fãs. No dia 19 de fevereiro, registrava 137 mil pessoas falando sobre isso. Um percentual de 0,8%.

O Starbucks Brasil, por sua vez, tem aproximadamente 500 mil fãs e 56 mil falando sobre isso. Alcança o respeitável percentual de 11% de PTA.

Esses exemplos me induziram à resposta apressada — que carecia de correção. Na realidade, é possível, sim, uma fan page ter PTA maior que o número de fãs. Para isso acontecer, o volume de compartilhamentos precisa ser gigantesco. É necessário que muitos usuários que nunca curtiram a página curtam ou comentem uma publicação específica. Foi isso que expliquei aos alunos, ao que o Luciano emendou:

“Pois é, está acontecendo com a minha página. O número de fãs é maior do que o de curtidas”.

Você está falando sério, Luciano?

Sim, está. A sua página, que leva o seu nome, começou como pessoal. Quando atingiu o limite de 5 mil amigos, precisou virar fan page.

Recentemente, um post que narrava a saga de bombeiros assaltados durante o combate ao incêndio em uma favela no litoral de São Paulo tinha, até aquele momento, dia 15 de fevereiro de 2014, mais de 10 mil compartilhamentos ― e chegaria depois a 21 mil. A cobertura da grande imprensa passou à margem do drama do bombeiro, que, após o episódio, diz ter perdido a “alegria de trabalhar sem olhar ‘onde e pra quem’”.

A página do Luciano, com 20 mil fãs, registrava no momento da aula mais de 35 mil falando sobre isso. Na quinta-feira (20), alcançaria números ainda mais impressionantes: 167.372 falando sobre isso e 21.410. Veja você mesmo o print screen:

Fan Page de Luciano Pires na Tracto (3)

O índice de atividade chegou à estonteante marca de 782%, resultado 70 vezes maior que o respeitável percentual do Starbucks.

Não há mágica nos números. A maioria dos seis a nove posts que o Luciano publica por dia tem interação na mesma média de outras boas páginas. Alguns ganham 10 curtidas, outros 300, outros passam despercebidos. Mas aí vêm os posts com popularidade colossal, como os dois abaixo.

Fan Page de Luciano Pires na Tracto (2)

Números altos de compartilhamento em dois posts de fevereiro. Um passa dos 22 mil e o outros, dos 35 mil.

Conteúdo é o nome do jogo. O Luciano é palestrante, escritor, podcaster e tem certa experiência na web. Seu podcast no Café Brasil existe desde 2006 e está perto de completar 400 edições. Suas publicações ganham efeito viral porque tocam a audiência em algum aspecto.

Na semana passada, eu o bombardeei de perguntas. “Você promove esses posts mais populares?”. Não, ele só promove publicações com menos audiência, fortalecendo o mais fraco. Portanto, o grosso do resultado é orgânico. “Quem é o seu público?”. Basicamente, ouvintes e leitores do Café Brasil (que também tem fan page) e do videocast Iscas Intelectuais. Ou seja, um público antigo e cativo.

Na sala de aula, consegui corrigir a resposta antes de ser atropelado pelo exemplo do Luciano. E com ele reforcei a convicção de que conteúdo relevante associado à humanização do perfil nas redes sociais tende a gerar resultados muito mais efetivos do que páginas convencionais de marca. Não há um manual que explique como isso pode ser feito pelas empresas. Mas os números estão aí para indicar o caminho. É questão de trilhá-lo.


NOTA: O causo em questão se deu durante a oficina ” Estratégias de Comunicação em Redes Sociais ― e em Outras Táticas”, que ministrei no dia 15 de fevereiro de 2014, em São Paulo.

Cassio Politi é fundador da Tracto e do All Metrics. Foi em 2016 palestrante do Content Marketing World, o principal evento do tema no mundo, em Cleveland, nos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, foi apontado pela Traackr como o 9º mais influente profissional de marketing de conteúdo da América Latina. E aparece na lista dos 50 mais influentes do mundo publicada pelo Top Blogger.

Foi eleito o profissional de content marketing do ano pela Digitalks em 2015. É desde 2014 o único sul-americano a compor o seleto júri do Content Marketing Awards. É autor do livro Content Marketing - O Conteúdo que Gera Resultados, publicado em 2013. Presta consultoria para grandes empresas brasileiras e multinacionais. Já conduziu palestras, treinamentos in company e cursos abertos em 25 estados.

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