Assessor de imprensa e marketing de conteúdo? [Parte 1]

Eu seria capaz de apostar que, mais cedo ou mais tarde, sustentariam a tese de que o assessor de imprensa é um dos profissionais de comunicação mais preparados para a nova função de quem opera o content marketing.

E este dia chegou.

Apesar de concordar inteiramente com isso, não quer dizer, no entanto, que ele esteja pronto. Há desafios importantes pela frente. E a explicação é lógica. Se nem os veículos encontraram uma fórmula para justificarem sua sobrevivência à era digital, teriam os assessores se modernizado? Estamos aqui, do outro lado do balcão do jornalismo, como gostamos de dizer, assistindo com interesse a tudo o que está acontecendo sem, necessariamente, evoluirmos com nossos métodos e nossos meios. O assessor de imprensa de hoje é o mesmo de, vá lá, 10 anos atrás. E para a comunicação, 10 anos são, vocês sabem, uma vida.

Neste primeiro post de uma série de reflexões, compartilho com vocês a primeira razão pela qual as atividades dos assessores de imprensa os capacitam a liderarem o content marketing no Brasil.

Relevância não é uma opção
Vamos começar do início: nenhum assessor de imprensa sobrevive sem relevância. Não é uma escolha sua para sair-se bem na carreira. É uma obrigação. Sempre que constrói um texto para enviar ao seu cliente, que é o jornalista, ele está em busca da verdade e da utilidade desta verdade ao jornalista. Um pequeno deslize pode pôr a perder a confiança do jornalista nele. E confiança, sabemos, é o bem mais valioso de um jornalista com seu leitor. Um assessor de imprensa sempre nutre em seu ofício, portanto, a mesma dualidade: reforçar a reputação da empresa e, ao mesmo tempo, contribuir com a tarefa diária do jornalista de preencher seus espaços editoriais com informação que interesse ao leitor. E daí? Boa pergunta. Daí que o content marketing nasceu da era da transparência e da era digital que estamos vivendo. Os consumidores passaram a dialogar diretamente com as marcas. E as marcas reconheceram a oportunidade de criar canais de comunicação direta com seus clientes. Com isso, dentro dessa comparação, o processo de marketing de conteúdo substitui a mídia e passa a criar um conteúdo que será distribuído pela própria marca. E o cliente vai confiar? Ahá! Chegamos ao ponto. Como o consumidor de jornalismo e o consumidor de produtos ou serviços são a mesma pessoa, por óbvio, exigem das empresas a mesmíssima relevância que sempre cobraram do jornalista. Não parece lógico? Querem a verdade, não menos do que a verdade. Em suma: o assessor de imprensa sai em vantagem porque passará a medir o conteúdo que produz para o consumidor com a mesma régua que sempre mediu a informação que enviou ao jornalista. Arrisco uma comparação: no futuro, talvez, a mesma satisfação que o assessor de imprensa sente hoje ao ver a informação do release emplacar no jornal ou no blog, ele terá ao ver o conteúdo da marca ser compartilhado por milhares de clientes nas redes sociais. Simplesmente porque acertou na informação, em seu tom e em seu teor.

PS.: Embora eu tenha afirmado que as marcas passariam a distribuir conteúdo, fazendo, em parte, o papel da mídia, o jornalismo e a assessoria de imprensa continuam coexistindo e coexistindo com força. A assessoria de imprensa, aliás, é, ao meu ver, mais uma das importantes ferramentas do content marketing.

Continuo no próximo post. ;)


Leia também:
Assessor de imprensa e marketing de conteúdo? [Parte 2]


Juliano Rigatti, jornalista de Porto Alegre, é gerente de comunicação no Walmart Brasil para a região Sul. Twitter: @uzina.

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